Aqui vai a carta da Patricinha que chegou aqui ante-ontem.
-São 6:25 da manhã e agora, mais do que nunca, eu sinto que quero assistir a todas as coisas mais bonitas do mundo do teu lado. Deixa eu te contar como 'tá o céu. Daqui de onde eu 'tô é como se eu pudesse dividí-lo ao meio. Do lado direito a noite mais noite e o escuro mais azul que tu possas imaginar. Do lado esquerdo as pinceladas de dia mais suaves que a vinda do sol pode trazer pra um azul quejá não é mais tão escuro assim. É como se uma linha tênue separasse as duas coisas e não desse pra identificá-la porque ela tem um jeito único de amenizar tudo o que 'tá dividido.
São 6:25 da manhã e eu te quero aqui, Jackzinho. Porque eu não poderia ter escolhido um dia melhor pra acordar e querer ver isso aqui pela primeira vez depois de vir pra cá. Não poderia ter escolhido uma hora melhor pra observar as poucas estrelas que aparecem no céu. Ficar de cabeça pra baixo é como estar no mar. A gente pode viajar nele. Todos os dias. Em loop eterno. Cada dia em um lugar. Sempre que der vontade.
Pelotas, 21 de junho de 2010
Eu admiro muito a escrita da Patricinha, pouca gente consegue escrever dois parágrafos em 1 minuto, de cabeça pra baixo e no escuro. Saminina é foda.
Quanto a mim, estou tirando férias de tudo. Tudo mesmo, até de você. Dia 20 eu volto, até mais.
A.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
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