a gente só presta a devida atenção às coisas quando elas cabem exatamente num determinado espaço, num determinado tempo. quando elas se encaixam ali, naquele momento. quando elas servem pra gente muito bem.
e aí a gente esquece de todo o resto, até do que outrora já foi bem importante. como um desfoque de olhar, como guardar todas as lembranças numa caixa que quando for o momento (certo ou errado) poderá ser aberta.
caixinhas de lembranças, é isso que vivemos pra guardar. negativos esquecidos, é isso que tudo é. quando qualquer vontade e qualquer luz pode nos fazer voltar a enxergar. quando a vontade é inconveniente o suficiente pra nos deixar sem saber o que fazer. porque a luz não respeita alguns limites.
então a gente tenta construir outros mais fortes. um limite que respeite onde o foco quer estar. então a gente destrói os limites. então a gente os constrói de novo. então a gente destrói. e constrói. e destrói.
é como tentar deixar tudo bem quando tudo tem que explodir. é como tentar explodir tudo quando tudo tem que estar bem. é terrível não saber a hora, é terrível não saber como tem que realmente ser. mas é bem mais terrível cansar, é bem mais terrível desistir. porque aí não vão existir nem focos novos nem negativos velhos.
na verdade focos novos sempre vão voltar a existir. na verdade os negativos são eternos.
e as importâncias são sempre válidas. onde quer que estejam.
sábado, 21 de agosto de 2010
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